segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Parque do Iguaçu é exemplo de preservação da Mata Atlântica

O parque é o primeiro local a ser mostrado na série de reportagens do JN desta semana. Ela faz parte do Projeto Globo Natureza. Hoje, restam apenas 7% da cobertura original da Mata Atlântica.




O jornalismo da Globo lançou um novo projeto para falar das características e problemas da biodiversidade brasileira. No ano passado, o Globo Amazônia teve como tema a maior floresta do mundo.

Agora, damos um novo passo com a criação do Globo Natureza. O projeto vai mostrar também as outras regiões do país que concentram o mesmo clima e vegetação, como o Cerrado ou o Pantanal.

O Globo Natureza estará em todos os telejornais e em alguns programas da Globo. E no Jornal Nacional ele começa, nesta segunda-feira (10), com uma série de reportagens especiais sobre a Mata Atlântica. A floresta, que já cobriu todo o litoral brasileiro, está ameaçada de desaparecer.

Um hotel de 52 anos foi inaugurado nos anos 50 pelo então presidente da República, Juscelino Kubitscheck. Hotel de luxo acostumado a receber as maiores fortunas do mundo.

Por uma suíte já passaram, por exemplo, a princesa Diana, um sheik árabe e, nesta segunda-feira (10), acaba de desocupá-la um empresário chinês, considerado um dos homens mais ricos da China.

Mas o luxo maior do hotel não está nos hóspedes que recebe, nem nos lençóis de algodão egípcio, nem nos bules de prata do café da manhã. O bem mais precioso está na vista que se alcança da varanda.

A visão da herança que recebemos 120 milhões de anos atrás, quando se formaram as Cataratas do Iguaçu.

Diante das cataratas, não podemos fazer muita coisa além de, humildemente, respirar.
Neste cenário, os gestos mais humanos ganham outra dimensão.

O Rio Iguaçu tem, em média, um quilometro de largura. Ao formar as cataratas, ele se estreita e é em uma garganta que se formam os quase 300 saltos das Cataratas do Iguaçu.

O maior deles é a Garganta do Diabo, com 80 metros de altura e oito mil toneladas de água por segundo. As cataratas estão dentro de dois parques: um argentino, outro brasileiro. No oeste do estado do Paraná, o Parque Nacional do Iguaçu é a única reserva de Mata Atlântica que sobrou.

A devastação da Mata Atlântica é o retrato da história do Brasil. Desde o descobrimento, a floresta vem sendo explorada e dizimada. Hoje, restam apenas 7% da cobertura original.

“A maior parte da população brasileira vive na Mata Atlântica e depende dos seus recursos. Então, um trabalho grandioso na Mata Atlântica é preservar o que resta”, explica Márcia Hirota, diretora do SOS Mata Atlântica.

Caminhando pelas trilhas do Parque Nacional do Iguaçu, as manchas vermelhas, nos troncos das árvores, atestam que o ar está puro. Os macacos-prego saem em bandos atrás da comida. O pica-pau-rei continua a morar numa casa bem redondinha.

Os parques – criados em 1939 no Brasil e em 37 na Argentina – estão muito bem preservados. A questão é o que está ao redor deles. Do lado brasileiro, encostado nos limites do parque, os vizinhos são extensas plantações de soja e de milho.

“Os agrotóxicos estão presentes dentro da água do Parque Nacional”, informa um homem. A repórter Neide Duarte pergunta se tem também essa carga de poluição de agrotóxicos nas cataratas. “Nas cataratas também estão presentes, infelizmente”, responde.

O parque tem contato com 14 municípios vizinhos. Os rios dessas cidades estão contaminados pelo esgoto e atingem a Bacia do Rio Iguaçu.

“Isso lógico que vai melhorando através do rio, porque é um rio com bastante corredeira, bastante pedra”, diz o homem.

As cataratas e a Mata Atlântica funcionam como um filtro, numa eterna tentativa de purificação das águas, para que a vida continue. A poluição que alcança o parque é invisível, mas alguns sinais já aparecem no Rio Iguaçu.

O jacaré-de-papo-amarelo, um dos animais da Mata Atlântica ameaçados de extinção, vai morrer e a garrafa pet que aparece ao seu lado vai sobreviver a ele, pelo menos por mais 200 anos.

A harpia, uma das maiores águias do mundo, conhecida como gavião-real, é quase uma lenda por lá. “É área de ocorrência da espécie, eu nunca vi”, conta Marina Xavier da Silva, bióloga do Parque do Iguaçu.

A repórter Neide Duarte pergunta se ninguém viu harpia por lá. “Então, existem alguns boatos, alguns relatos que possam ter visto a harpia”, responde a bióloga.

A harpia, em exposição no Parque das Aves, um zoológico particular em Foz do Iguaçu, foi recolhida pelo Ibama e levada para lá.

Na Mata Atlântica, é uma das espécies ameaçadas de extinção. “Quando a gente perde os grandes predadores, a floresta inteira sofre com isso”, afirma Marina Xavier da Silva.

No zoológico mantido na Hidrelétrica de Itaipu, uma jovem harpia de seis meses, nascida no cativeiro, está crescendo toda branca. Especialista em visão, ela enxerga longe e é a mais vigorosa esperança para a perpetuação da espécie e a preservação da Mata Atlântica.

Todas as informações sobre o Parque do Iguaçu e outras áreas da Mata Atlântica você encontra na internet, no portal Globo Natureza.




Fonte: Jornal Nacional - Edição do dia 10/01/2011

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